ENFOQUE
Nesta seção colocamos algums artigos informativos e de leitura fácil. Os temas são:
De Volta da Índia - impressões sobre a Índia e Nepal através de alguém que viaja para lá pela quarta vez.
Aprenda a Dizer "Não" - A importância de estabelecer limites e como usar essa palavrinha preciosa.
Sistema Ayurvêdico de Saúde - A saúde e o bem estar ao alcançe de todos através da medicina indiana.
Anderson Allegro
Viajar para a Índia é um marco na vida da gente, mesmo para quem já foi quatro vezes. Quando começo a mostrar as fotos e falar dos lugares sempre sinto uma pequena frustração pois não consigo transmitir o que é essencial nessa viagem. O que conta não é a mala cheia de presentes, roupas e artigos que custam tão barato lá, nem os dez rolos de filmes que usamos para registrar os lugares onde passamos. O que conta de verdade são as coisas que vivenciamos nesse país, são os limites interiores com os quais somos obrigados a nos confrontar e a invariável comparação que fazemos entre o modo de vida deles e o nosso.
Sempre digo às pessoas que viajam comigo para tentarem olhar a cultura indiana com olhos insentos dos conceitos da nossa própria cultura. Essa é a forma ideal de se abordar e comprender outros povos. Claro que não é fácil, mas a gente tenta. Todos reconhecem que o padrão de vida na Índia e Nepal está muito aquém do nosso. Quase ninguém tem geladeira, video-cassete ou chuveiro elétrico em casa e poucos deles almejam esses itens essenciais para nós. Aliás, eles não desejam muito além da comida de todo dia e um espaço qualquer onde se possa dormir. É aí que começo a questionar a nossa vida estressada e cheia de ansiedade onde queremos ter carro do ano, uma casa maior, apartamento na praia, casa no campo, TV a cabo, computador, Internet, etc. Acho justo ter tudo isso, mas será que vale a pena gastar todo nosso tempo e nossa vida lutando para conseguir essas coisa e, depois, para mantê-las?
O trânsito é uma loucura. Andar pela Paulista as seis da tarde é uma maravilha comparado com a quantidade de veículos e o movimento caótico dos mesmos pelas ruas das grandes cidades indianas. Mas raramente se vê um motorista reclamando, brigando ou xingando. Eles continuam dirigindo calmamente em meio àquela balburdia.
Nas lojas, todo mundo quer vender e temos que barganhar muito para comprar por um preço justo. Sempre achei que os vendedores indianos são os mais ávidos do mundo. Esse ano passei por uma experiência que me fez repensar esse conceito. Estava barganhando com um jovem vendedor até que ele chegou num preço de apenas vinte rúpias (o dinheiro indiano) a mais do que eu queria pagar. Aceitei, contei as notas que tinha no bolso e dei a ele. Meio de brincadeira, mostrei as duas notas amassadas que haviam sobrado e disse-lhe que elas não eram o suficiente para pagar o jantar. O rosto dele ficou pálido e imediatamente ele me devolveu as vinte rúpias. Eu fiquei sem-graça e disse que era brincadeira mas ele insistiu para que eu ficasse com o dinheiro. Só depois de garantir à ele que eu tinha mais dinheiro no hotel e que não ficaria sem jantar é que ele aceitou de volta as vinte rúpias. Dinheiro é só dinheiro, mesmo para um vendedor. O meu jantar era mais importante para ele do que o seu próprio lucro.
Mesmo caminhar pelas ruas pode ser uma experiência única. Ao olhar pessoas tão diferentes de mim, fico imaginando como elas vivem, o que pensam, como são na intimidade de suas casas e chego à conclusão de que, apesar das diferenças da superficie, no fundo somos todos muito semelhantes e estamos sempre aprendendo uns com os outros. Essa percepção me curou do complexo de inferioridade que, como bom brasileiro, sempre senti diante dos europeus ou americanos. Gente é sempre gente, não importa a roupa que vestem ou a língua que falem.
Como explicar o que se sente ao meditar silenciosamente às margens do sagrado rio Ganges? Ou descansar debaixo de uma árvore no parque onde Buddha fez seu primeiro sermão? Voar de balão rodeado pelos picos nevados dos Himalaias é uma sensação indescritível. A gente se sente dono do mundo, com total liberdade para ir onde quiser e ser apenas aquilo que somos. É como se todas as mesquinharias da nossa vida cotidiana se dissolvessem diante da grandiosidade daquelas montanhas. Nada mais resta além do silêncio e da certeza de ser uma pessoa abençoada pelos deuses e privilegiada por poder experimentar isso tudo. E, quietinho dentro do balão, enquanto uma lágrima rola disfarçadamente pelo rosto, a gente agradece ao Grande Mistério por tanta beleza e por essa maravilhosa dádiva que é a vida.
Se você acha difícil dizer não, você provavelmente gasta muito tempo fazendo coisas para os outros que você preferia não fazer. Dizer sim quando você gostaria de não fazer o que lhe pedem pode criar estresse e tensão no seu corpo produzindo sintomas como por exemplo, dor de cabeça. A seguir, damos cinco formas de dizer não para você treinar:
Não simples e direto: O objetivo aqui é dizer não sem se desculpar. A outra pessoa é a dona do problema e você não deve permitir que ela o transfira para você. Diga "Não, não, eu prefiro não fazer." O não direto é poderoso e costuma ter bom efeito até com vendedores agressivos.
Não ponderado: Esta técnica implica em afirmar o conteúdo e o sentimento do pedido que lhe foi feito e adicionar sua assertiva recusa no final: "Eu sei que as cartas são urgentes mas eu não posso ir ao correio esta tarde." Este é um jeito firme e decisivo de dizer não e que não permite negociação pois demonstra que você ponderou sobre o pedido e, ainda assim, não poderá atendê-lo.
Não motivado: Neste método, você expõe muito brevemente o motivo genuíno da sua recusa: "Eu não posso postar as cartas esta tarde porque combinei de encontrar um amigo." Você pode usar este método se você deseja ser sutil mas tem um motivo verdadeiro para não atender o pedido. Ele também não abre espaço para negociação.
Não negociado: Esta é uma forma de dizer não sem recusar-se definitivamente: "Eu não posso postar as cartas esta tarde mas posso fazê-lo amanhã." Esta forma pode ser o prelúdio de uma negociação mas você só deve utilizá-la se você realmente quiser e puder atender ao pedido mais tarde.
Não inquisitivo: Não é um não definitivo e é um convite genuíno para abrir uma negociação: "Há alguma outra hora que você gostaria que eu fosse?" Ele pode ser usado se você deseja fazer o que foi pedido mas o momento não lhe é apropriado.
Não do gravador quebrado: Nesta técnica você repete uma simples negação várias vezes:"Não, eu não posso ir ao correio."
"Oh, por favor, as cartas têm que sair hoje."
"Não, eu não posso ir ao correio."
Este é um bom método para utilizar com pessoas persistentes.
Traduzido do artigo "Just Say No" de Trevor Powell publicado no Yoga Journal nº 138.
Anderson Allegro
Desde tempos imemoriais, os hindus se preocupavam com a saúde e o bem estar físico. Com a sensibilidade de que eram dotados, puderam compreender o ser humano como um microcosmo, uma réplica miniaturizada do universo que os cerca. Perceberam que as mesmas forças que atuam no universo atuam também em nosso corpo. Conhecedores das propriedades de cada um dos cinco elementos, foram capazes de classificar as pessoas em três biotipos ou constituições básicas: kapha, a constituição de água; pitta, a constituição de fogo, e vata, a constituição de ar.
Kapha (água) é frio, pesado, úmido, opaco, descolorido. As pessoas de kapha tendem a ser pálidas e normalmente sentem bastante frio. Costumam ter excesso de peso ou sentir o corpo pesado mesmo que sejam magras. Elas acumulam muita água no corpo. É comum terem as juntas enrijecidas. A voz é suave, sedosa e profunda. São pessoas muito afetuosas e sentimentais, gostam de sentir-se estáveis e seguras. Adoram ficar em casa e pagam para não fazer esforço físico. São tímidas, conservadoras e apegadas à família. Precisam de tempo para considerarem as questões importantes e demoram a decidir-se. Fisicamente, costumam ter digestão lenta, excesso de mucosidade nos pulmões e nariz, resfriam-se facilmente e sentem muito sono.
Pitta (fogo) é quente, oleoso, luminoso, afiado. As pessoas de pitta são coradas e calorentas. O corpo é moderado e têm boa musculatura. As juntas tendem a ser flexíveis. A voz é alta e aguda. São inteligentes, críticas e agitadas. Irritam-se e demonstram a raiva muito facilmente. Gostam de aventuras e desafios. Inventivos e engenhosos, possuem uma memória afiada e uma determinação implacável. Fisicamente, tendem a ter infecções e alergias, sensação de queimação no estômago, sentem o sangue ferver nas veias. Costumam ter febre com frequência e olhos irritados. O sono é moderado e inconstante.
Vata (ar) é agitado, seco, leve, frio. Pessoas de vata têm pele morena, sem brilho e muitas vezes seca. O corpo é magro, alto e leve. Os ossos bem evidentes. A voz é baixa, fraca e rouca. Mentalmente, são mutáveis, excitáveis e indecisos. Inconstantes nos relacionamentos e nas emoções. Aprendem muito facilmente e têm grande poder de adaptabilidade. Costumam ser ansiosos e tendem ao medo. Fisicamente, têm problemas do sistema nervoso, tremores, prisão de ventre, muitos gases, debilidade e depressão. Frequentemente sofrem de insônia.
No sistema ayurvêdico determinamos a constituição individual e buscamos os fatores que amenizem e equilibrem nossa própria natureza. A alimentação e o uso de ervas ou chás é um grande instrumento nesse processo. Os alimentos que fazem bem para alguém de vata (ar), podem agravar o desequilíbrio de pessoas de kapha (água). Cada constituição requer cuidados particulares. Pessoas de kapha (água) precisam de alimentos secos e quentes. Já as de pitta (fogo) equilibram-se com alimentos refrescantes. As de vata (ar) necessitam alimentos pesados e úmidos.
Mas a alimentação não é o único instrumento. As cores de roupas, tipos de exercícios, hábitos, estilo de vida e emoções apropriadas equilibram nossa constituição particular nos proporcionando uma vida mais saudável, harmoniosa e cheia de vitalidade.
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