
Para nós,
ocidentais, meditar significa refletir
a respeito de alguma coisa. No oriente, meditar é algo bem
diferente. É entrar num estado de consciência onde se torna
mais fácil compreender a si mesmo. Nisargadatta Maharaj, um
mestre indiano, nos explica com simplicidade no seu livro I
am That:
"Nós conhecemos o mundo exterior de sensações e ações mas, do nosso mundo interior de pensamentos e sentimentos, nós conhecemos muito pouco. O objetivo primário da meditação é que nos tornemos conscientes e que nos familiarizemos com a nossa vida interior. O objetivo final é alcançar a fonte da vida e da consciência."
Assim, através da meditação vamos prestar atenção e descobrir como funcionamos. Como agimos em determinadas situações, porque respondemos uma coisa quando gostaríamos de dizer outra, porque fugimos daquilo que mais queremos, porque vivemos mergulhados na ansiedade, na depressão e no cansaço quando queremos apenas a tranqüilidade.
Grande parte dessa confusão é criada pela mente. Podemos dizer que ela é o instrumento de nossa consciência e contém a somatória de nossos condicionamentos, padrões de pensamento, nossa memória e nosso lado racional. A mente é como um lago agitado. Ao ver a lua refletida nesse lago turbulento poderíamos supor que a própria lua é algo disforme e agitado, mas estaríamos totalmente enganados. Da mesma forma, quando olhamos para o reflexo do nosso Eu-Superior no lago inquieto de nossa mente, não conseguimos perceber sua verdadeira natureza. Meditar nada mais é do que aquietar os turbilhões dos pensamentos, serenar a mente para que possamos reconhecer com clareza nossa essência. Durante esse processo de aquietar a mente nos damos conta de nossos padrões de pensamento e de ação e, assim, podemos transformá-los.
DICAS PARA A PRÁTICA
A prática da meditação, embora simples, requer bastante disciplina e regularidade. Abaixo estão algumas dicas de como iniciar sua prática de meditação.
EXERCÍCIOS DE MEDITAÇÃO
Olhe
atentamente para um símbolo ou um objeto que lhe chame a
atenção naturalmente. Pode ser um desenho, uma
estatueta, um yantra (diagramas cósmicos do hinduísmo),
etc. No Yoga, usamos o simbolo do OM para meditar (veja o
desenho ao lado). Olhe para esse símbolo e envolva-se
com ele. Observe-o atentamente até que você possa
mantê-lo com clareza na sua mente, mesmo de olhos
fechados.O OBSERVADOR PASSIVO
Existem centenas, talvez milhares, de
técnicas de meditação. Cada um deve descobrir a que melhor
combina consigo e a que produz melhores resultados. Alguns
preferem meditar com mantras, muitos gostam de observar a
respiração e outros usam imagens ou símbolos. Porém, o que
essas técnicas têm em comum é o fato de despertarem o
observador passivo.
Eu chamo de observador passivo aquela parte nossa que se mantém distante da turbulência da nossa vida diária. Ele é como um sábio que olha o vilarejo do alto de uma colina. Ele vê as pessoas correndo de um lado para outro, as crianças brincando, um cachorro procurando comida, alguém morrendo, um bebê nascendo, a geada queimando a colheita e nada disso o afeta. Ele permanece sentado no alto de seu monte, eqüânime, pois sabe que a dor ou a alegria brotam da mesma fonte e nenhuma delas é permanente. O observador passivo sabe que a verdadeira felicidade pertence ao Eu-Superior e que quando estamos conscientes dele, nada mais nos afeta.
Mas ele também é um grande professor. Se você ficar com alguém 24 horas por dia observando como ele come, como se veste, como fala e age, como dorme, no final de uma semana você conhecerá muito dessa pessoa. Assim, se nos observarmos tempo suficiente, aprenderemos muito a nosso respeito. Aprenderemos como é que funcionamos, como agem nossos pensamentos e sentimentos, como eles influenciam nossas escolhas, etc. Quando desenvolvemos o observador passivo, podemos olhar de longe a paisagem de nossa vida e encarar os desafios que ela nos propõe com insenção de ânimos, sem deixar que o emocional nuble nossa percepção. É por isso que é tão fácil aconselhar um amigo com problemas. Como não estamos envolvidos emocionalmente, temos uma visão panorâmica da situação e podemos perceber as falhas e as possibilidades que ele não vê. Quando olhamos as coisas com uma certa distância, entendemos o contexto e os motivos por trás dos fatos. E, com essa compreensão, podemos encontrar saídas criativas, podemos ver portas onde antes parecia existir apenas muros.
A TÉCNICA
Sente-se confortavelmente e faça algumas
respirações profundas.
Comece a observar os pensamentos que lhe
chegam. Tome consciência deles e deixe que sumam em seguida.
Não os evite nem os incentive.
Não dê continuidade a nenhum
pensamento. A tendência da mente é fazer associações. Quando
vem o pensamento "preciso pagar uma conta no banco" a
mente dá continuidade: "será que tenho dinheiro
suficiente? Se não tiver, posso pedir emprestado ao fulano. Caso
ele não possa emprestar...". E assim vai. Portanto, corte o
fio antes que toda a meada se desenrole.
Tente ver cada pensamento como um quadro
estático, como uma cena de um grande video-clip que não merece
muita atenção.
A mente está representando uma grande
peça diante de você. Mas você não é o
protagonista. Você é apenas o expectador.
Portanto não se envolva.
Caso haja uma grande confusão de
pensamentos fluindo, apenas "olhe" essa confusão. Não
tente controlar seus pensamentos, deixe que eles venham da
maneira que vierem.
Não espere nada de especial da sua
meditação: fogos de artifício explodindo diante de você,
deuses e iluminados desfilando, flores de lótus ou luzes
maravilhosas. As imagens que surgem podem ser apenas produto da
atividade mental, truques da mente para distraí-lo. Portanto,
continue apenas observando como outro pensamento qualquer. Não
se envolva com a beleza ou beatitude delas. Se elas forem mais
que um produto da mente, você saberá.
Com a prática
contínua você será capaz de manter a mente em branco e ouvir a
voz de sua intuição que também é um atributo do observador
passivo.
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