
Aqui você vai conhecer o pensamento de vários Mestres e absorver a sabedoria milenar do Yoga. Esses ensinamentos são universais e nos ajudam a distinguir entre a realidade e as imagens distorcidas que nossa mente cria. Esses textos nos oferecem insights profundos e ajudam a aprofundar nossa prática de meditação. Muitos desses textos, em especial os de Sri Nisargadatta Maharaj, são diálogos entre o Mestre e os discípulos. Esses diálogos acontecem durante o Satsang. Satsang é uma palavra sânscrita que significa "sentar-se em compania de gente sábia" e refere-se ao momento em que o Mestre recebe seus discípulos e responde suas dúvidas.
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Textos:
Meditação - Sri Nisargadatta Maharaj
A Obsessão com o Corpo - Sri Nisargadatta Maharaj
O Self Está Além da Mente - Sri Nisargadatta Maharaj
QUEM É SRI NISARGADATTA MAHARAJ?
Esta biografia foi retirada do livro "I Am
That".
Quando perguntavam sobre a data de seu nascimento, o Mestre replicava brandamente que ele nunca nasceu!
As poucas informações existentes sobre ele foram coletadas com familiares e amigos e, muitas vezes, são incongruentes. Conta-se que ele nasceu na lua cheia de Março de 1897, que coincide com o festival Hanuman Jayanti, quandos os hindus homenageiam Hanuman, o famoso deus-macaco do Ramayana. Por isso, o recém-nascido recebeu o nome de Maruti (outro nome de Hanuman).
O garoto cresceu quase sem instrução, numa família pobre e seu pai trabalhava como serviçal numa residência em Bombay. Mais tarde, a família se mudou para uma pequena fazenda num vilarejo próximo à floresta de Ratnagiri, Maharastra. Maruti auxiliava seu pai nos afazeres da fazenda e suas diversões eram tão simples como seu trabalho, mas ele foi contemplado com uma mente inquisitiva, que borbulhava com questões de todos os tipos.
Quando Maruti completou 18 anos, seu pai faleceu deixando a viúva e seus seis filhos. Isto obrigou Maruti a mudar-se para Bombay em busca de melhores rendimentos para ajudar sua família. Após trabalhar algum tempo como auxiliar em um escritório, ele conseguiu montar uma pequena loja onde vendia roupas para crianças, tabaco e cigarros artezanais. Dizem que esse negócio cresceu e lhe proporcionou alguma estabilidade financeira. Nesse período ele se casou e teve um filho e três filhas.
Até a meia idade, Maruti viveu uma vida normal, como a de qualquer outro indiano. Um amigo lhe apresentou um dia, ao mestre Sri Siddharameshwar Maharaj e este foi seu ponto de mutação. O Guru lhe deu um mantra e algumas instruções sobre meditação. Logo no início de sua prática, Maruti começou a ter visões e chegando a entrar em trance algumas vezes. Alguma coisa explodiu dentro dele dando nascimento à uma consciência cósmica e um sentido de vida eterna. A identidade de Maruti, o pequeno comerciante, se dissolveu e a personalidade iluminada de Sri Nisargadatta emergiu.
Após sua experiência de iluminação, Sri Nisargadatta Maharaj começou a viver uma vida dupla. ele continuava conduzindo seus negócios, mas não era mais o mercador preocupado com o lucro. Mais tarde, decidiu abandonar sua família e sua loja (como é costume na Índia) e viver como peregrino. Com os pés descalços, se encaminhou para os Himalaias onde planejava passar o resto de seus anos em busca da vida eterna. Mas logo retrocedeu e percebeu a futilidade dessa busca. A vida eterna não era algo para ser desejado. Ele já a possuia. Tendo ido além da idéia de "eu sou este corpo", ele penetrou num estado mental tão cheio de alegria, paz e glória que qualquer coisa lhe parecia inútil comparado a essa sensação.
Embora sem instrução, seus diálogos são iluminadores num grau extraordinário. Embora tenha nascido e crescido na pobreza, ele é o mais rico dos homens, pois é dono de uma ilimitada abundância de conhecimento perene. Ele é caloroso e gentil, perspicaz e bem-humorado, absolutamente sem medos e totalmente verdadeiro, inspirando, guiando e dando suporte a todos que o procuram.
Qualquer tentativa de escrever uma nota biográfica sobre tal homem é frívola e fútil. Porque ele não é um homem com um passado ou um futuro; ele é o presente vivo - eterno e imutável. Ele é o Self que se tornou todas as coisa.
Seu principal livro é "I Am That", onde estão transcritas suas conversas com os seus discípulos. Sri Nisargadatta Maharaj faleceu em 1981.
Sri Nisargadatta Maharaj - I Am That
Discípulo: Todos os professores nos aconselham a meditar. Qual é o objetivo da meditação?
Maharaj: Nós conhecemos o mundo exterior de sensações e ações mas, do nosso mundo interior de pensamentos e sentimentos nós conhecemos muito pouco. O objetivo inicial da meditação é tornar-se consciente e familiarizar-se com a vida interior. O objetivo final é alcançar a fonte de vida e consciência.
Incidentemente, a prática da meditação afeta profundamente nosso caráter. Nós somos escravos do que não conhecemos. Daquilo que conhecemos, somos mestres. Qualquer que seja o vício ou a fraqueza, se os descobrimos dentro de nós e entendemos as suas causas e como funcionam, nos tornamos capazes de superá-los por conhecê-los bem. O inconsciente se dissolve quando trazido à consciência. A dissolução do inconsciente libera energia: a mente se sente adequada e se torna quieta, silenciosa.
D: Para que serve uma mente quieta?
M: Quando a mente está quieta nós podemos nos perceber como puros observadores. Nós nos afastamos da experiência e do experimentador e nos mantemos a parte, no estado de pura consciência, a qual está entre e além dos dois. A personalidade, baseada na identificação com o ego e em imaginar que somos alguma coisa: "Eu sou isto, eu sou aquilo", continua, mas somente como parte do mundo objetivo. A sua identificação com a testemunha se quebra.
D: Até onde eu sei, vivemos em muitos níveis e a vida em diferentes níveis requer energia. O ego, pela sua natureza se delicia com tudo e sua energia se dispersa. Não é o objetivo da meditação repressar a energia em seus níveis superiores ou movimentá-las para baixo e para cima, permitindo que os níveis superiores do ser se desenvolvam?
M: Isso tem mais a ver com os gunas (qualidades) do que com níveis. A meditação é uma atividade sátvica e que se volta para a completa eliminação de tamas, a inércia e rajas, a mobilidade ou atividade. Satva puro (harmonia) é a perfeita libertação da indolência e da agitação.
D: Como fortalecer e purificar Satva?
M: Satva é pura e forte sempre. É como o sol que pode parecer obscurecido pelas núvens ou pelo pó, mas somente do ponto de vista do observador. Trabalhe com as causas do obscurecimento, não com o sol.
D: Para que serve Satva?
M: Para que serve a verdade, a bondade, a harmonia, a beleza? Essas qualidades são metas em si mesmo. Elas se manifestam espontaneamente, sem nenhum esforço quando deixamos as coisas seguirem seu curso, quando não interferimos, quando não evitamos, ou desejamos ou conceituamos, mas simplesmente as experienciamos em total consciência. Essa consciência, por si só é Satva. Satva não utiliza coisas e nem é usada pelas pessoa, ela as preenche.
D: Como eu não posso incrementar satva, devo trabalhar com tamas e rajas somente? Como faço para lidar com elas?
M: Observando suas influências em você e sobre você. Esteja consciente delas em operação. Observe-as se expressando em seus pensamentos, palavras e atos. Gradualmente a força delas sobre você diminuirá e a clara luz de satva começará a emergir. Isso não é nem difícil e nem um longo processo. A seriedade e sinceridade são as únicas condições para o sucesso.
Sri Nisargadatta Maharaj - I Am That
D: Maharaj, você está sentado aí, diante de mim e eu estou aqui a seus pés. Qual a diferença básica entre nós?
M: Não há nenhuma diferença básica.
D: Mas, ainda assim parece ter alguma diferença real. Eu vim a você, você não veio até mim.
M: É porque você imagina essas diferenças que você veio aqui e vai ali em busca de uma pessoa superior.
D: Mas você é uma pessoa superior. Você alega conhecer a realidade enquanto eu não.
M: Eu por acaso lhe disse que você não sabe nada e, portanto, que você é inferior? Deixe aqueles que criaram essas distinções, prová-las. Eu não alego conhecer algo que você não conhece. Na verdade eu sei muito menos do que você.
D: Suas palavras são sábias, seu comportamento é nobre e sua graça é poderosa.
M: Eu não sei nada sobre tudo isso e não vejo diferença nenhuma entre você e eu. A minha vida é uma sucessão de eventos exatamente como a sua. A única coisa é que estou desapegado e vejo o show que passa somente como um show que passa enquanto você se apega às coisas e vai com elas de um lado para o outro.
D: O que o torna uma pessoa tão imparcial?
M: Nada em especial. Aconteceu que eu acreditei no meu Guru. Ele me disse que eu não sou nada além de mim mesmo, e eu acreditei nele. Acreditando nele, eu passei a me comportar de acordo e parei de me preocupar com tudo o que não era eu ou que não era do meu ser.
D: Por que você foi tão bem aventurado em acreditar totalmente no seu professor enquanto nossa fé é nominal e verbal?
M: Quem pode dizer? Isso simplesmente aconteceu. Coisas acontecem sem causa e sem razão e, de qualquer forma, que diferença faz quem é quem? A sua elevada opinião sobre mim é apenas a sua opinião. A qualquer momento você pode mudá-la. Por que dar tanta importância a opiniões, mesmo que sejam as suas?
D: Ainda assim você é diferente. Sua mente parece estar sempre quieta e feliz e milagres acontecem a sua volta.
M: Eu não sei nada sobre milagres. E fico pensando se a natureza admite exceções às suas leis, a menos que concordemos que tudo seja um milagre. Para mim, isso não existe. Há uma consciência onde tudo acontece. Esses milagres são bastante óbvios e fazem parte da experiência de todos. Você apenas não olha com o cuidado suficiente. Olhe atentamente e veja o que eu vejo.
D: E o que você vê?
M: Eu vejo o que você também pode ver aqui e agora, mas pelo foco errado da sua atenção. Você não dá atenção a si próprio. Sua mente está cheia de coisas, pessoas e idéias, nunca com você mesmo. Coloque a si mesmo dentro do foco. Torne-se consciente da sua própria existência. Veja como você funciona, verifique os motivos e os resultados das suas ações. Estude a prisão que você, inadvertidamente, construiu a sua volta. Descobrindo o que você não é você acabará se conhecendo. O caminho de volta a si mesmo vai através da recusa e da rejeição. Uma coisa é certa: o real não é imaginário, não é produto da mente. Até mesmo o sentido de "eu sou" não é continuo, apesar de ser um sinalizador útil; ele mostra onde procurar mas não o que procurar. Apenas dê uma boa olhada nisso. Uma vez que você estiver convencido de que você não pode dizer verdadeiramente nada sobre si próprio, exceto "eu sou", e de que nada para o que você possa apontar pode ser você mesmo, a necessidade do "eu sou" termina. Você não mais tentará verbalizar o que você é. Tudo o que você precisa é livrar-se da tendência de definir a si mesmo. Todas as definições aplicam-se somente ao seu corpo e às suas expressões. Uma vez que esta obsessão com o corpo termine, você reverterá ao seu estado natural, espontaneamente e sem esforço. A única diferença entre nós é que eu estou consciente do meu estado natural, enquanto você está a devanear. Assim como o ouro usado numa jóia não leva nenhuma vantagem em relação ao ouro em pó, exceto quando a mente as cria, assim também somos uno em essência - diferimos apenas na aparência. Descobrimos isto sendo sinceros, procurando, inquirindo, questionando diariamente, a toda hora, dedicando uma vida a essa descoberta.
Sri Nisargadatta Maharaj - I Am That
Questionador: Quando criança, eu freqüentemente experimentava estados de completa felicidade, chegando ao êxtase. Mais tarde, eles cessaram. Mas desde que vim para a Índia eles reapareceram, principalmente depois que o encontrei. Ainda assim, esses estados, embora maravilhosos, não são duradouros. Eles vão e vêm sem que eu saiba quando voltarão.
Maharaj: Como alguma coisa pode permanecer estável em uma mente, quando ela mesma não é estável?
Q: Como posso tornar minha mente estável?
M. Como pode uma mente instável tornar-se a si mesma estável? É claro que não pode. É natureza da mente ficar vagando. Tudo que se pode fazer é deslocar o foco da consciência para além da mente.
Q: Como se faz isso?
M: Recuse todos os pensamentos, exceto um: o pensamento "Eu Sou". A mente se rebelará no início, mas com paciência e perseverança, ela irá render-se e ficar quieta. Uma vez quieta, as coisas começarão a acontecer espontânea e naturalmente, sem nenhuma interferência da sua parte.
Q: Posso evitar esta batalha com minha mente?
M: Sim, você pode. Apenas viva sua vida da maneira como ela se apresenta, mas fique alerta, vigilante, permitindo que cada coisa aconteça da maneira que acontecer, fazendo as coisas naturais de um jeito natural, sofrendo, regozijando-se, da forma como as coisas vierem. Esta também é uma maneira.
Q: Bem, então eu posso também me casar, ter filhos, tocar um negócio... ser feliz.
M: Certamente. Você pode ser feliz ou não, a escolha é sua.
Q: Bem, eu quero a felicidade.
M: A verdadeira felicidade não pode ser encontrada em coisas que mudam e se vão. Prazer e dor se alternam inexoravelmente. A felicidade vem do self e pode ser encontrada somente nele. Encontre o seu self real (swarupa) e tudo mais virá com ele.
Q: Se o meu verdadeiro self é paz e amor, por que ele é tão inquieto, tão agitado?
M: Não é seu ser real que é agitado, mas seu reflexo na mente é que parece agitado, pois a mente é agitada. É como o reflexo da lua na água movimentada pelo vento. O vento do desejo agita a mente e o "eu", que nada mais é do que o reflexo do Self na mente, parece mutável. Mas essas idéias de movimento, inquietação, prazer e dor estão todas na mente. O Self está além da mente, consciente, mas sem envolvimento.
Q: Como alcançá-lo?
M: Você é o Self, aqui e agora. Deixe a mente em paz, fique consciente, não se envolva e você irá perceber que permanecer alerta mas desprendido, assistindo os acontecimentos indo e vindo, é um aspecto da sua natureza real.
Q: Quais são os outros aspectos?
M: Os aspectos são em número infinito. Conheça um e você conhecerá todos.
Q: Diga alguma coisa que possa me ajudar.
M: Você é quem sabe melhor o que você necessita!
Q: Eu não tenho descanso. Como posso obter paz?
M: Para que você quer paz?
Q: Para ser feliz.
M: Você não é feliz?
Q: Não, eu não sou.
M: O que o torna infeliz?
Q: Eu tenho o que não quero, e quero o que não tenho.
M: Por que você não inverte a situação: queira o que você tem e não se importe com o que não tem?
Q: Eu quero o que é prazeroso e não quero o que é doloroso.
M: Como você sabe o que é prazeroso ou não?
Q: Em função da experiência passada, é claro.
M: Guiado pela memória você tem perseguido o prazeroso e fugido do não prazeroso. Você tem obtido sucesso?
Q: Não, não tenho. O prazeroso não dura. A dor instala-se novamente.
M: Que dor?
Q: O desejo pelo prazer, o medo da dor, ambos são estados de angústia. Existe um estado de prazer puro?
M. Cada prazer, físico ou mental, necessita de um instrumento. Tanto os instrumentos físicos como mentais são materiais, eles cansam e tornam-se batidos. O prazer que eles proporcionam é necessariamente limitado em intensidade e duração. A dor é o pano de fundo de todos os seus prazeres. Você os quer porque você sofre. Por outro lado, a busca pelo prazer é a causa da dor. É um círculo vicioso.
Q: Eu posso ver o mecanismo da minha confusão, mas não vejo a forma de sair dele.
M: O exame detalhado do mecanismo mostra o caminho. Afinal, sua confusão está só na sua mente, que nunca lutou muito contra a confusão e nunca se agarrou tanto a ela. Sua mente se rebela apenas contra a dor.
Q: Então, tudo o que tenho a fazer é permanecer confuso?
M: Fique alerta. Questione, observe, investigue, aprenda tudo que puder sobre a confusão, como ela opera, o que ela faz a você e aos outros. Ao esclarecer a confusão você se livrará dela.
Q: Quando olho para dentro de mim, percebo que meu desejo mais forte é criar um monumento, construir alguma coisa que possa durar mais do que eu. Mesmo quando eu penso em um lar, esposa e filhos, é porque eles são uma testemunha duradoura e sólida de mim mesmo.
M: Certo, construa um monumento para você. Como você pensa fazer isso?
Q: Importa pouco o que eu construo, desde que seja permanente.
M: Certamente, você vê por si mesmo que nada é permanente. Tudo se desgasta, quebra, dissolve. O próprio chão onde você constrói também desaparecerá. O que você pode construir que dure mais que tudo?
Q: Intelectualmente, verbalmente, estou consciente de que tudo é transitório. Ainda assim, de alguma forma meu coração deseja permanência. Quero criar algo que dure.
M: Então você precisa construir isso com alguma coisa duradoura. O que você tem que é duradouro? Nem seu corpo, nem sua mente duram. Você precisa procurar em outro lugar.
Q: Eu anseio pela permanência, mas não a encontro em nenhum lugar.
M: Você, você mesmo não é permanente?
Q: Eu nasci e meu destino é morrer.
M: Você pode verdadeiramente dizer que você não era antes de nascer e você pode possivelmente dizer quando estiver morto: "Agora eu não sou mais"? Você não pode dizer, pela sua própria experiência, que você não é. Você só pode dizer "Eu sou". Os outros também não podem dizer-lhe "você não é".
Q: Não há "Eu sou" no sono.
M: Antes de fazer tais afirmações examine cuidadosamente seu estado de vigília. Você logo descobrirá que ele está cheio de falhas, quando a mente fica em branco. Perceba como você se recorda pouco mesmo quando totalmente acordado. Você não pode dizer que você não estava consciente durante o sono. Você apenas não se lembra. Uma falha na memória não é necessariamente uma falha na consciência.
Q: Posso lembrar, por mim mesmo, meu estado de sono profundo?
M: É claro! Eliminando os intervalos durante suas horas de vigília você gradualmente eliminará os longos intervalos de ausência da mente, que você chama de sono. Você ficará consciente de que está dormindo.
Q: Mas o problema da permanência, da continuidade do ser, ainda continua sem solução.
M: A permanência é mera idéia, nascida da ação do tempo. O tempo, por sua vez, depende da memória. Por permanência você entende uma memória que não falha através de um tempo que seja contínuo. Você quer eternizar a mente, o que não é possível.
Q: Então o que é eterno?
M: Aquilo que não muda com o tempo. Você não pode eternizar uma coisa transitória - somente o imutável é eterno.
Q: Estou familiarizado com o sentido geral do que você diz. Não desejo mais conhecimento. Tudo que eu quero é paz.
M: Você pode obter toda paz que você quer apenas pedindo.
Q: Eu estou pedindo.
M: Você deve pedir com um coração não dividido e viver uma vida integrada.
Q: Como?
M: Desprenda-se de tudo que não deixa sua mente descansar. Renuncie a tudo que perturba sua paz. Se você quer paz, mereça-a.
Q: Certamente todos merecem paz.
M: Somente a merecem aqueles que não a perturbam.
Q: De que forma eu perturbo a paz?
M: Sendo um escravo de seus desejos e medos.
Q: Mesmo quando eles são justificáveis?
M: Reações emocionais, nascidas da ignorância e da inadvertência, nunca se justificam. Procure uma mente clara e um coração limpo. Tudo que você precisa é manter-se bem alerta, investigando a verdadeira natureza de você mesmo. Este é o único caminho para a paz.
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